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28
ago

Por
Victor Thadeu

Pedagogia afetiva

3 pilares para edificação do educador

Atualmente, a ideia de que a escola deve ensinar apenas conteúdos disciplinares aos alunos está cada vez mais enfraquecida. O professor não ocupa a função de transmissor de matéria, mas sim de um transformador de realidades. A reinvenção e a constante atualização fazem parte do perfil do educador contemporâneo.

Se por um lado isso provoca melhorias no ensino, por outro leva a uma certa indefinição do papel do professor. Hoje a prática docente não está clara, o que pode dificultar a preparação e cotidiano dos educadores.

Considerando princípios da Pedagogia Afetiva, preparamos este artigo para mostrar três pilares para a formação do professor. A partir desses suportes, os educadores possuem maior destreza para os desafios diários dentro e fora de sala de aula. Confira!


Pedagogia afetiva: 3 pilares para a edificação do educador

Buscando um maior preparo para as dificuldades cotidianas, o professor pode tomar, como ponto de partida para seus atos, três ações pedagógicas. A partir dessas ações, tem-se a construção de um ambiente mais agradável na escola, logo, um lugar mais adequado para a construção de conhecimentos e desenvolvimento de pessoas.

As ações pedagógicas que compõem os pilares para a edificação do professor envolvem:

  1. A renovação da emotividade;
  2. O estabelecimento do afeto como um norteador para a vida;
  3. A constante busca pela qualidade no sentido mais amplo possível.

Cada uma dessas condutas qualificam o professor para os desafios do dia a dia. A necessidade de uma formação profissional guiada pela afetividade é encontrada em Vygotsky, que destaca o papel do emocional na construção do fundamento do processo educativo. Sendo assim, é ideal que a escola incentive e forneça ao professor uma qualificação nesse sentido, uma vez que o profissional preparado consegue lidar melhor com a mistura de emoções e opiniões em sala de aula.

A seguir, compreenda melhor as ações pedagógicas que edificam o professor e veja como elas podem ser desenvolvidas no cotidiano escolar.

Uma nova sensibilidade do educador

O professor de hoje precisa estar aberto a receber. Estar numa sala com crianças e jovens é um desafio diário do profissional. O contato com esses indivíduos, para ser efetivo, não pode se bastar na impessoalidade.

Tratando-se do ambiente escolar, é importante lembrar que cada aluno é único. Por efeito da cultura digital, os estudantes não se enquadram mais em grupos similares ou gerações. Isso significa que o professor precisa buscar compreender o universo peculiar de cada aluno em sala de aula. Para o sucesso da aprendizagem, os educadores precisam:

  • conhecer os medos dos estudantes;
  • reconhecer as inseguranças individuais e coletivas;
  • identificar o que causa satisfação nos alunos.

A partir desse conhecimento humano, é possível diminuir a distância entre professor e aluno. Muitas vezes, os jovens possuem um instinto de proteção que reflete em atos indisciplinares e opiniões autodestrutivas. De acordo com a psicóloga Maria Tereza Maldonado, a rebeldia dos alunos expressam

[…] a necessidade de formar uma carapuça protetora contra o medo de ser rejeitado, contra sentimentos de inadequação (“já que sou mesmo incompetente para tantas coisas, por aí eu me destaco”) e contra a dor do desamor (“ninguém gosta de mim mesmo, quero mais é explodir o mundo”).

Nessas situações, de nada colabora o educador ser sério ou responder à altura. A sensibilidade para contornar atos rebeldes inicia a parceria entre docente e discente.  O professor, ao contravir com afetividade e assumir o controle da situação, ganha pontos com a turma, que passa a transparecer de forma mais saudável às confusões internas.

Estar preparado emocionalmente para as adversidades cotidianas, portanto, envolve compreender as emoções do outro. Um outro passo importante para a edificação do professor diz respeito a como o educador exerce sua função profissional.

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Afetividade como uma facilitadora

Se compreender as emoções é importante para encurtar a distância entre os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, é preciso encontrar uma forma de ligar a sensibilidade ao ato de dar aula. Iniciar um relacionamento amigável com os alunos é o primeiro passo. Depois que isso está estabelecido, o professor deve buscar dotar sua didática de afetividade.

O afeto faz com que as relações sejam estabelecidas de uma forma mais pacífica e prazerosa. O professor, portanto, deve procurar formas de transmitir seus ensinamentos de forma afetuosa. Hoje em dia, é comum que as escolas se preocupem apenas com a formação puramente cognitiva dos alunos. Há, portanto, um afastamento da noção de humanidade, uma vez que os estudantes passam a ser números na chamada e no registro da escola.

Esse fato, além inviabilizar as emoções presentes dentro dos muros da escola, abrem mão da oportunidade que a escola possui de formar alunos emocionalmente educados. Entretanto, não é necessário estabelecer uma disciplina ou uma hora certa para essa formação. O afeto tem muito potencial quando movimenta todas as ações pedagógicas. Assim, além de facilitar o estabelecimento de parcerias, facilita o contato do aluno com os conteúdos escolares.

A aprendizagem é dependente do íntimo: as crianças e os adolescentes se desenvolvem de forma mais rápida e eficaz quando seguras e queridas. O professor, portanto, deve estabelecer um posicionamento e um ambiente seguro para os alunos e buscar elogiá-los sempre que possível. O ato de elogiar confere aos estudantes uma motivação, o que reflete no aumento de interesse.

Quanto à afeição que o aluno sente a partir da afetividade do professor, o estudioso piagetiano Barry J. Wadsworth relaciona interesse à seleção de atividades intelectuais. A vontade de aprender não é impulsionada apenas por meio de atividades mecânicas e tradicionais da educação. Logo, para melhorar as relações com os alunos e suas aprendizagens, “faz-se necessário pensar em afeto como sentimentos, desejos, interesses, valores e todo tipo de emoção”.

Qualidade científica e cognitiva e Qualidade social e afetiva

Tão comum quanto não desenvolver no aluno o senso de afetividade, muitas escolas não buscam por uma atualização cientifica. A escola, enquanto instituição de ensino, precisa buscar avançar de modo contínuo. Para formar cidadãos aptos ao convívio em sociedade, é necessário que a procura pela qualidade seja um hábito dentro da escola.

A edificação do professor, na área da qualificação, envolve muito do trabalho da escola em sua formação profissional. A fim de evitar que a qualidade da instituição se perca ou pare de crescer, a instituição precisa funcionar como um local em que a capacidade profissional e humana é valorizada.

Para garantir a qualidade nos conteúdos, uma veia na pesquisa é recomendada. A escola, nesse sentido, deve auxiliar o professor na tarefa de pesquisar, incentivando os profissionais da educação a terem uma visão investigativa. A partir de estímulo, os professores, assim como os alunos, conseguem se desenvolver de forma mais concreta.

Além da formação e atualização do professor, o fornecimento de livros didáticos adequados ao ensino de qualidade vai além da melhoria cognitiva da escola. O professor e o aluno, ao terem um suporte cientificamente embasado e estruturalmente fundamentado, conseguem focar em temáticas além do material. Por saber onde recorrer para busca e pesquisa, docentes e discentes se sentem mais seguros e amparados na escola e em seus estudos fora dela.

A qualidade afetiva pode ser fortalecida por meio do fortalecimento das relações sociais. Momentos para a troca de experiências entre os professores e sessões de debate são ótimas formas de alinhar ensino ao estabelecimento de amizades dentro da escola. O contato com os colegas professores, além de ampliar o saber profissional, ajuda o professor em sua atualização emocional e desenvolvimento da afetividade.

A afetividade, portanto, é um meio para o aumento da qualidade, seja puramente cognitiva ou social. Voltando a Vygotsky, percebe-se que “a emoção não é uma ferramenta menos importante que o pensamento”.

O benefício do afeto no processo de ensino-aprendizagem

A afetividade, norteadora das práticas da Pedagogia Afetiva, facilita a aprendizagem dos alunos. Mediada por um professor edificado, a prática pedagógica funciona muito melhor quando há carinho no ensinamento de saberes. Essa melhoria no ensino é, portanto, um dos maiores benefícios em estabelecer a ternura em ambiente escolar.

Quando há interatividade guiada pelo afeto, o desenvolvimento cognitivo e emocional do aluno é elevado. A vivência em sala de aula contribui para o crescimento dos alunos que, além de mais inteligentes, saem mais humanos e emocionalmente educados da escola. Por conviver com um professor afetivo, o aluno tem inspiração afetiva para a vida toda, retomando as atitudes do profissional quando exposto a desafios da vida adulta.

Na Pedagogia Afetiva, logo, a afetividade é contemplada em todos os aspectos humanos: físicos, motores, emocionais, psicológicos. Isso faz com que o desenvolvimento dos alunos — e dos professores — aumente por meio da exploração e descoberta, que se dá de forma natural, rápida e perseverante.

Entenda o que significa Pedagogia Afetiva

A Pedagogia Afetiva representa uma forma de ensinar. Elaborada conforme estudos de diversos métodos educacionais e teorias pedagógicas tanto clássicas quanto contemporâneas, essa proposta pedagógica objetiva ressignificar o ensino. A partir da formação integral dos indivíduos e do preparo para o futuro indefinido, tem-se a afetividade como eixo central da ação didática.

Com essa proposta afetiva, os estudantes desenvolvem-se em um local adequado para a aprendizagem de crianças e adolescentes, o que ainda forma cidadãos conscientizados quanto aos seus limites e deveres. Por estarem envolvidos em práticas afetuosas, os alunos da Pedagogia Afetiva transformam o mundo contemporâneo de maneira positiva, conquistando seu lugar na sociedade e contribuindo para que ela seja mais ética e justa.

Conclusão

O preparo para uma aula afetiva, que contemple os saberes do aluno em sua totalidade, envolve a formação do professor. Para que o profissional da educação esteja seguro e apto à prática escolar, a definição de ações pedagógicas, além de potencializar as capacidades, auxilia o professor em suas dificuldades cotidianas. Uma vez que instruído e edificado, os pilares que sustentam o processo de ensino-aprendizagem geram uma educação mais efetiva e de maior qualidade aos estudantes.

O afeto desempenha um papel fundamental no desenvolvimento humano e na construção de relações sociais. Ligado a isso, tem-se a formação do sujeito que cresce em ambiente afetivo. Os alunos, ao terem suporte amigável na escola, crescem transformados e preparados para a atuação na sociedade.

A formação emocional, também conhecida como educação socioemocional, está presente na Base Nacional Comum Curricular. Baixe nosso e-book gratuito e veja com a educação para o século XXI envolve o trabalho com os sentimentos.

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