16
mar

Por
Victor Thadeu

BNCC

O que a BNCC diz a respeito da alfabetização?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de cunho oficial que define o que deve ser aprendido nas intuições de Ensino Básico de todo o Brasil. Parte fundamental e abertura dos aprendizados escolares, a alfabetização é destacada no documento no início do Ensino Fundamental.

Ainda que a BNCC atribua a etapa de alfabetização aos anos iniciais do Ensino Fundamental, alguns preceitos e antecedentes do período alfabetizador estão presentes na fase da Educação Infantil.

A seguir, confira detalhadamente como a alfabetização aparece na Educação Infantil e no Ensino Fundamental e entenda melhor o processo de alfabetização proposto pela BNCC. Confira!


Alfabetização na Educação Infantil

Embora não apareça com o nome de “alfabetização”, muito da ideia de alfabetização e letramento está presente na Educação Infantil da BNCC. O campo de experiência nomeado Escuta, fala, pensamento e imaginação constitui um arranjo curricular de experiências e saberes da criança voltados para a comunicação.

Desde o nascimento, as crianças participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais interagem. […] Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu veículo privilegiado de interação.

Base Nacional Comum Curricular

Nesse período de aprendizagem, a BNCC destaca como fundamental o explorar do falar e do ouvir por meio de situações e exercícios interativos e lúdicos.

Sobre a cultura da escrita na Educação Infantil, o documento traz alguns pontos:

  • A criança, naturalmente, manifesta curiosidade linguística acerca de textos escritos. Sozinha, ela constitui sua própria concepção de língua escrita e já é capaz de reconhecer a multiplicidade dos usos da escrita.
  • A partir dos conhecimentos e desejos manifestados pelas crianças, a imersão na cultura da escrita deve ser iniciada.
  • O contato precoce com a Literatura colabora para o desenvolvimento do gosto pela leitura e estímulo à criatividade.
  • A familiaridade com textos escritos faz com que as crianças desenvolvam hipóteses sobre o escrever. Na maioria das vezes, os pequenos conseguem identificar a escrita como um sistema de representação da língua.

Por integrar uma das composições da alfabetização, a cultura da escrita e o seu despertar dos conhecimentos sobre o uso social da escrita pode ser o primeiro sinal de alfabetização na BNCC. Essa ideia muito dialoga com a perspectiva da pedagoga argentina Emilia Ferreiro, desenvolvida em sua obra Alfabetização em Processo:

O desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças.

Alfabetização no Ensino Fundamental

A Base insere a alfabetização propriamente dita na Área de Linguagens, sobretudo como etapa primária do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, principalmente em seus dois primeiros anos.

De acordo com o documento, a ênfase da ação pedagógica no início dos anos iniciais deve estar na apropriação do sistema de escrita alfabético e desenvolvimento de habilidades envolvidas na leitura e escrita. A justificativa para esse foco inicial é a ampliação de possibilidades provocada pelo aprender a ler e escrever, que envolve a construção de conhecimentos por meio da inserção na cultura letrada.

Nos primeiros anos do Ensino Fundamental, as experiências iniciadas na Educação Infantil ganham teor mais profundo. A alfabetização e suas práticas aparecem em quatro eixos:

  1. Oralidade, que envolve o conhecimento da língua oral e estratégias de fala e escuta;
  2. Análise Linguística/Semiótica, que sistematiza, de fato, a alfabetização e seu período de 5 anos (2 para a inserção e 3 para o desenvolvimento);
  3. Leitura/Escuta, que dá devido destaque ao letramento através de uma progressiva adequação às estratégias de leitura em variados tipos de texto;
  4. Produção de texto, que também, progressivamente, incorpora estratégias de escrita de diferentes gêneros textuais.

Válido destacar que, segundo a Base, “cantar cantigas e recitar parlendas e quadrinhas, ouvir e recontar contos, seguir regras de jogos e receitas, jogar games, relatar experiências e experimentos, serão progressivamente intensificadas e complexificadas, na direção de gêneros secundários com textos mais complexos”.

O processo de alfabetização na BNCC

A aquisição da proficiência em escrita e leitura envolve capacidades e habilidades que são obtidas por meio do processo de alfabetização, que começa na exploração natural da linguagem e passa por um período de conhecimento da mecânica da escrita e leitura. A seguir, confira o que a BNCC enfatiza em seu processo de alfabetização.

Alfabetização em 2 anos

Como já destacado anteriormente, o processo de alfabetização começa com as práticas letradas na Educação Infantil, mas é até o 2º ano do Ensino Fundamental que se espera a integral alfabetização dos alunos. Por ser um processo que se inicia anteriormente ao Ensino Fundamental, não é possível afirmar que as crianças são alfabetizadas em apenas 2 anos, mas sim em 2 anos de Ensino Fundamental.

Consciência fonológica e formatos do alfabeto

Através da capacidade de codificação e decodificação dos sons da língua (os fonemas) em material gráfico (os grafemas), ocorre a formação da chamada consciência fonológica, que se trata da organização da sonoridade que, em geral, os falantes possuem. Apesar de não haver uma especificação quanto ao método a ser utilizados nas escolas brasileiras, essa parte da BNCC comunica-se muito bem com o Método Fônico de Alfabetização.

Relações fonografêmicas

No processo alfabetizador, a escola, junto aos pais e responsáveis, precisa fazer com que os alfabetizados sejam, entre muitos outros pontos, capazes de:

  • Distinguir desenhos (símbolos) de letras (signos);
  • Conhecer o alfabeto da língua em questão;
  • Perceber a forma qual ocorre a relação entre fonemas e grafemas.

Essas capacidades envolvidas no conhecimento fonográfico são básicas para a alfabetização, que, mais tarde ainda no Ensino Fundamental, será complementada com o conhecimento ortográfico do português brasileiro.

Relações fono-ortográficas

Sobre a construção do conhecimento da ortografia, a BNCC pontua 3 importantes relações que contribuem para a aprendizagem dos alunos:

a) as relações entre a variedade de língua oral falada e a língua escrita (perspectiva sociolinguística); b) os tipos de relações fono-ortográficas do português do Brasil; e c) a estrutura da sílaba do português do Brasil (perspectiva fonológica).

Base Nacional Comum Curricular

Dentre as três relações, a relacionada a fono-ortográfica deve ser destacada, uma vez que, dos 26 grafemas de nosso alfabeto, apenas sete apresentam uma relação direta entre fonema e grafema. Portanto, não há muita regularidade de representação entre fonemas e grafemas no português brasileiro. O desenvolvimento dessa relação é, desta maneira, dependente da memorização.

Capacidades gerais do alfabetizado

Ao final, definindo de modo geral o processo de alfabetização, a BNCC pontua oito capacidades e habilidades do alfabetizado:

  • Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas (outros sistemas de representação);
  • Dominar as convenções gráficas (letras maiúsculas e minúsculas, cursiva e script);
  • Conhecer o alfabeto;
  • Compreender a natureza alfabética do nosso sistema de escrita;
  • Dominar as relações entre grafemas e fonemas;
  • Saber decodificar palavras e textos escritos;
  • Saber ler, reconhecendo globalmente as palavras;
  • Ampliar a sacada do olhar para porções maiores de texto que meras palavras, desenvolvendo assim fluência e rapidez de leitura (fatiamento).

O que é BNCC — Base Nacional Comum Curricular

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de referência para a formulação dos currículos escolares de todo o Brasil. Sua função é definir o que deve ser ensinado nas instituições de Ensino Básico de modo a garantir o desenvolvimento das aprendizagens essenciais, ou seja, alinhar as propostas pedagógicas do país.

A BNCC propõe o aprendizado por meio do desenvolvimento de competências e habilidades. Transversal às competências puramente cognitivas, estão as competências socioemocionais, que buscam a formação integral dos estudantes e controle de suas emoções, preparando-os para a vida em sociedade do século XXI.

A elaboração do documento envolveu contribuições públicas por meio de consultas virtuais e seminários promovidos para discussão. Por fim, a BNCC para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental foi homologada em dezembro de 2017, enquanto a BNCC do Ensino Médio foi homologada um ano depois, em dezembro de 2018.

Conclusão

O aprendizado do alfabeto e de sua utilidade como código de comunicação, assim como a apropriação do sistema de escrita e de mecanismos de leitura, é parte fundamental para integração na sociedade. A Base Nacional Comum Curricular define a alfabetização como ação pedagógica principal no começo do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, uma vez que o documento prevê que, ao final do 2º ano, as crianças já devem possuir habilidades relacionadas a leitura e escrita.

Propostos pela BNCC, os quatro eixos da Língua Portuguesa no Ensino Fundamental – Anos Iniciais (Oralidade, Análise Linguística/Semiótica, Leitura/Escuta e Produção de Textos) proporcionam o desenvolvimento das capacidades e habilidades pretendidas pelo processo de alfabetização. Além de conhecer os grafemas que compõem o alfabeto, a criança alfabetizada domina os padrões gráficos, reconhece amplamente as palavras e distingue a escrita de outros sistemas de representação.

Sobre a importância da alfabetização, a Base diz que “aprender a ler e escrever oferece aos estudantes algo novo e surpreendente: amplia suas possibilidades de construir conhecimentos nos diferentes componentes, por sua inserção na cultura letrada, e de participar com maior autonomia e protagonismo na vida social.”

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