19
jun

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Sistema Maxi de Ensino

Pedagogia Afetiva

Desafios da adolescência: como a escola pode ajudar o aluno?

Marcada por transformações físicas, cognitivas, afetivas, sociais e emocionais, a adolescência simboliza a passagem entre a infância e a idade adulta. Geralmente, a adolescência é tida como um período de difícil compreensão tanto pelos adolescentes quanto pelas pessoas que os cercam, por isso é comumente associada à fase de rebeldia.

Os desafios da adolescência se iniciam na puberdade, quando o corpo, a mente e os afetos das crianças começam a mudar. Apesar de não haver um marco final para delimitar essa fase, é possível instituir como conclusão desse ciclo a formação da identidade individual e da autonomia e reconhecimento da necessidade da maturidade.

Grande parte da adolescência é vivida durante o período escolar, logo, as instituições de ensino possuem grande papel nessa fase da vida. Todo o corpo docente precisa estar preparado e instruído para os desafios da adolescência.

Neste artigo, confira boas maneiras de lidar com os desafios da adolescência dentro do ambiente escolar e formas de melhorar a relação entre aluno adolescente e professor. Confira!


Como lidar com os desafios da adolescência na atualidade

Quem eu sou? O que eu sou? O que eu sei fazer? O que eu vou fazer? São perguntas comuns dos adolescentes, que se encontram num momento em que é difícil compreender o presente e planejar o futuro.

De acordo com estudos da psicologia, a adolescência é um momento da vida em que os indivíduos se afastam do vínculo familiar para se encontrarem em outros ambientes, portanto, a escola precisa apoiar e amparar os jovens mesmo em seus momentos mais complicados. As instituições de ensino são fundamentais para a formação dos indivíduos e influenciam diretamente o aluno em suas escolhas, pensamentos, contatos e decisões, portanto, precisam acolhe-los em qualquer situação que estejam, principalmente em seus desafios.

Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a escola deve trabalhar e desenvolver as questões do crescer, uma vez que “pretende-se que os estudantes […] estejam aptos a compreender a organização e o funcionamento de seu corpo, assim como a interpretar as modificações físicas e emocionais que acompanham a adolescência e a reconhecer o impacto que elas podem ter na autoestima e na segurança de seu próprio corpo.

Para contornar as dificuldades desse período da vida, a escola pode promover algumas ações com os alunos. Veja a seguir 6 sugestões de como lidar com os desafios da adolescência:

1) Preparo do que estar por vir:

Uma boa prática para que os estudantes não sejam pegos de surpresa pelas dificuldades da adolescência é informar as crianças sobre as próximas etapas de sua vida. Ao serem expostos às mudanças do crescer enquanto pequenos, os alunos já vão se preparando emocionalmente para enfrentar a adolescência mais facilmente.

Esse preparo não precisa ser feito formalmente, numa conversa agendada e premeditada. Na verdade, o ideal é que o assunto venha de forma fluida e espontânea, durante as aulas, na forma de histórias, em que a adolescência é retratada de maneira natural.

2) Rodas de conversa:

Já adolescentes, a realização de rodas de diálogo é uma excelente forma de fazer com que os alunos compartilhem suas mudanças e dificuldades com seus professores e colegas. Os professores, por já terem passado pelas situações da adolescência e conviver diariamente com jovens, funcionam como uma sábia referência. Já os colegas, por compartilharem do mesmo período de vida, são os companheiros de experiência.

Nessas rodas, é necessário deixar os alunos bem à vontade, por isso o ambiente em que a roda de conversa será realizada precisa conduzir a isso.

Colocar uma música de um artista de gosto comum dos jovens como música ambiente e dispor de cadeiras confortáveis podem auxiliar a abertura do diálogo.

Além do ambiente, os professores precisam se afastar da postura firme e estarem preparados para ouvir os alunos. Os educadores, inclusive, podem aproveitar o momento de intimidade para abordar assuntos mais delicados, como as doenças sexualmente transmissíveis, o sexo e o cuidado psicológico.

3) Trabalhos que envolvem assuntos sobre bullying:

É na adolescência que os problemas com o bullying começam a ser mais impactantes. Para impedir a formação da cultura do bullying e do preconceito, a escola pode desenvolver atividades preventivas e combativas. Trabalhos sobre os desdobramentos do bullying também devem ser realizados, uma vez que, na era digital, o cyberbullying faz-se presente nas redes sociais.

Um outro efeito da era digital é a exposição excessiva nas redes sociais, que pode acarretar uma série de problemas relacionais.

A escola, junto à família do aluno, pode desenvolver o senso de limite nos alunos, demonstrando que há hora correta para dedicação ao mundo virtual sem descuidar das atividades e obrigações do mundo real. Assim, o adolescente responde ao seu instinto digital, utilizando redes sociais e se comunicando em grupos, mas ainda realiza bem suas atividades escolares.

4) Fortalecimento do contato com as famílias dos jovens:

Para que a adolescência não seja um trauma, a escola precisa alinhar seu discurso com os pais e responsáveis dos alunos. Além de incentivar a participação da família nas festividades escolares, a instituição de ensino pode tranquilizar os familiares que estão abalados com as mudanças dos filhos.

Nas reuniões de pais e responsáveis, os professores podem falar sobre como é importante a família permitir que o jovem viva seu período de experiências e canalize sua energia em atividades extracurriculares, como aulas de música, dança ou artes. Além do incentivo, é necessário ter interesse nas atividades realizadas pelo adolescente. Assim, o jovem tem em casa seu lugar de expressão.

A escola, também, pode se propor a ser uma aliada da família na resolução dos problemas ligados à rebeldia adolescente.

5) Foco na individualidade e autonomia:

Na adolescência, é comum a formação de grupos de gostos similares. As tribos podem envolver desde gêneros musicais até estilo de vida. Por isso, é comum que os adolescentes que gostem de rock sejam amigos dos outros jovens que ouçam esse gênero ou adolescentes que gostem de atividade física estejam sempre acompanhados de outros que também tenham essa preferência.

A escola precisa respeitar esses grupos e gostos, entretanto, é necessário abordar a temática da individualidade, uma vez que os grupos, muitas vezes, podem causar um apagamento da singularidade de cada um. Palestras com psicólogos sobre o desenvolvimento da identidade podem muito contribuir nesse estágio de formação de grupos e construção da singularidade. Todo estudante tem seu próprio valor e a escola precisa destacar a qualidade individual de cada aluno.

A BNCC já prevê esse trabalho da autonomia dos adolescentes:

As mudanças próprias dessa fase da vida implicam a compreensão do adolescente como sujeito em desenvolvimento, com singularidades e formações identitárias e culturais próprias, que demandam práticas escolares diferenciadas, capazes de contemplar suas necessidades e diferentes modos de inserção social.

Base Nacional Comum Curricular

6) Escola como o lugar do adolescente:

Para promover as capacidades dos adolescentes, a escola pode propor a realização de Festival de Talentos e Feira de Ciências, uma vez que esses dois eventos são desafiadores e mostram o melhor de cada aluno.

Ao consentir que os jovens se expressem artisticamente e cientificamente como desejam, a instituição de ensino se transforma em um ambiente do estudante, fazendo com que os alunos se sintam tranquilos para desenvolver suas próprias atividades, logo, seu próprio conhecimento.

Apesar de muitos jovens sentirem “medo da adolescência” e muitos adultos sentirem “medo do adolescente”, a escola, enquanto instituição, pode desenvolver vários projetos e práticas para lidar com os desafios da adolescência. Os pontos citados acima são sugestões e podem ser adaptadas ao contexto no qual está inserida a escola. Em todos os contextos, porém, cabe um alinhamento com a família do aluno, uma vez que a participação dos pais e responsáveis nas práticas escolares é indispensável para um crescimento saudável dos jovens.

Os desafios dos professores: como lidar com adolescentes em sala de aula

Observa-se uma mudança de postura dos professores ao longo da trajetória escolar dos alunos. Os professores do período da infância são mais interativos e estabelecem uma relação mais amigável com os estudantes, enquanto os educadores s do período da adolescência são menos parceiros da turma. Isso é natural, uma vez que o aluno adolescente é guiado por sentimentos ambivalentes.

O que é ambivalência? Ambivalência é estabelecer relações conflitantes entre pessoas e coisas

Na adolescência, é comum que os jovens tenham pensamentos positivos e negativos sobre determinado ser. Exemplo disso é o professor, que pode ser “chato” e “legal” ao mesmo tempo na cabeça dos jovens.

Essa ambivalência faz com que o aluno se afaste do professor, estabelecendo um abismo entre os dois. O docente deve estar preparado para esse local estabelecido pelos adolescentes, e inventar e reinventar formas de conectar as duas pontas e fazer com que o abismo não seja tão abissal assim.

Ou seja, atitudes como “bater de frente” ou ser agressivo de nada contribuem para a construção de uma relação saudável entre aluno e professor. Conversar com os discentes sobre assuntos que não estejam envolvidos ao conteúdo das aulas e demonstrar empatia com os problemas dos jovens podem ser grandes passos para o combate dessa ambivalência ligada à imagem do professor.

A postura afetiva por parte do professor é um ótimo começo para a melhoria na relação, assim, o “aluno difícil”, mesmo com suas complicações, vê no professor uma pessoa amigável e inicia seu processo de mudança de postura. Parte dessa postura afetiva inclui a consideração da pluralidade dos estudantes e alinhamento no contato de forma geral, uma vez que o professor deixar claro “seu aluno favorito”, por exemplo, pode afastar ainda mais os alunos que não se encaixam naquele padrão.

Responder à rebeldia adolescente de forma amigável e sincera, portanto, diminui a distância entre professor e aluno, logo, facilita a relação entre eles. O desestímulo, a falta de empenho e o sentimento de impotência e a agressividade são vencidos pela ação afetiva e pelo carinho que o aluno passará a sentir pelo professor.

Conclusão

Conforme observamos, os desafios da adolescência são vários. Guiados por sentimentos ambivalentes, os alunos podem parecer agressivos com os professores e desinteressados no conteúdo das aulas. Para contornar isso, a escola deve assumir seu papel importante de integração dos alunos e prepará-los desde cedo sobre as mudanças pelas quais eles passarão.

Além desse preparo, a escola pode estabelecer um contato amigável e direto com a família dos alunos adolescentes e promover:

  • Rodas de conversa, para abordagem de temas delicados com os jovens;
  • Campanhas sobre bullying e exposição virtual, para combater e prevenir maus do século XXI;
  • Eventos de arte e ciência, para canalizar a energia dos adolescentes e celebrar a aprendizagem.

O educador , para diminuir a distância existente entre ele e os alunos adolescentes, pode adotar uma postura afetiva, se preocupando e motivando os jovens dentro e fora de sala de aula. Assim, a escola passa a ser um ambiente apropriado para as várias necessidades dos adolescentes, transformando-se num lugar em que a maturidade é formada e desenvolvida.

A BNCC muito fala sobre a adolescência, inclusive ao definir a questão do ensino integral, que inclui o desenvolvimento das competências socioemocionais. Quer saber mais sobre a importância do trabalho dessas competências dentro da escola? Baixe gratuitamente nosso e-book!

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