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07
ago

Por
Victor Thadeu

BNCC

Como trabalhar a educação socioemocional no processo pedagógico

A inteligência emocional, que envolve saber lidar com as emoções, geralmente é associada ao “ensinamento da vida”. Porém, a escola, enquanto instituição de ensino, possui capacidade e espaço para desenvolver a educação socioemocional de seus estudantes.

Abordadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as habilidades socioemocionais envolvem o preparo para o mercado de trabalho e, sobretudo, para a vida em sociedade. A educação atualmente necessita de adaptações, uma vez que o mundo não é mais o mesmo. Os avanços tecnológicos trazem a necessidade das qualificações humanas, principalmente no que diz respeito aos sentimentos e emoções.

Neste artigo, veja como o socioemocional pode ser desenvolvido em ambiente escolar. Quando considerada, a inteligência emocional muito contribui para a construção de uma sociedade mais justa e a formação de alunos mais capacitados.

A educação socioemocional no processo pedagógico

Educação socioemocional é o desenvolvimento da inteligência emocional dentro do contexto das instituições de ensino, incluindo uma adequação do currículo escolar. Sendo assim, esse trabalho envolve salientar habilidades como:

  • o autoconhecimento
  • a resiliência
  • a empatia
  • a ponderação para resolver conflitos

Na escola, é ideal que o ensino socioemocional esteja presente em todas as disciplinas e ações didáticas, não configurando uma disciplina isolada. Portanto, todos os professores devem considerar os princípios socioemocionais no momento de planejar suas aulas e atividades.

Competências socioemocionais e competências puramente cognitivas

Para uma formação socioemocional eficiente, não é necessária a desconsideração das competências puramente cognitivas. Na verdade, essas competências são complementares, funcionando muito melhor quando avançam juntas. É importante ressaltar que o socioemocional, apesar de fundamental para a contemporaneidade, não invalida a necessidade de se trabalhar conteúdos na sala de aula.

O ensino socioemocional e o puramente cognitivo, quando mesclados, potencializam a capacidade dos alunos. Assim, são formados alunos preparados para as complicações da vida adulta, logo, para o mercado de trabalho. Profissionais inteligentes utilizam suas habilidades no dia a dia, sabendo a melhor maneira de lidar com as mais variadas situações.

A combinação dessas competências configura no conceito de formação integral. A criação de um ambiente escolar humanizado e adequado para o estabelecimento de boas relações facilita a aprendizagem dos alunos. Eles passam a compreender os conteúdos ensinados de uma forma mais natural, uma vez que o aluno educado emocionalmente possui maior motivação para aprender.

Professor e aluno: uma relação de parceria

Muitas das práticas socioemocionais estão relacionadas à Pedagogia Afetiva. O professor, ao assumir o papel de líder da turma, passa a compreender melhor as necessidades de seus alunos. O estabelecimento de relações mais agradáveis entre educadores e estudantes faz com que o aluno considere mais profundamente as ideias transmitidas pelo líder da ação pedagógica.

O professor, para compreender as exigências de seus alunos e formar indivíduos emocionalmente inteligentes, deve buscar por uma constante atualização de práticas. A consideração do universo do estudante, bem como da cultura digital em que a maior parte dos alunos estão inseridos, facilita a elaboração de aulas contextualizadas. A educação socioemocional e a puramente cognitiva são melhor assimiladas pelos alunos quando envolvem aspectos de suas vidas.

Portanto, assumir o apreço e a empatia como elementos norteadores das práticas do professor colabora com a formação socioemocional das crianças e jovens. O aluno, por desenvolver suas habilidades em um ambiente propício para a formação cidadã, utiliza seus princípios éticos como uma ferramenta para a construção de uma sociedade melhor.

Aprenda como trabalhar as habilidades socioemocionais na escola

Um dos principais benefícios do estabelecimento de uma educação socioemocional está ligado às capacidades do estudante. A educação voltada para a prática cidadã forma alunos capazes de memorizar conteúdos e, principalmente, analisá-los criticamente. Essa formação completa envolve o trabalho com as emoções.

Autoconhecimento na escola

O autoconhecimento é crucial para a formação socioemocional. Por meio do conhecimento de si, o aluno se situa no mundo. Assim, torna-se possível o reconhecimento enquanto estudante, profissional e, no geral, enquanto ser humano. Os papéis e deveres, assim como aspirações, fraquezas e pontos fortes, são reconhecidos e não representam ameaça em nenhum sentido.

Um autoconhecimento potencializado pela escola garante maior significado à aprendizagem dos alunos. Ao estar bem com sua personalidade e com seu papel na escola, o estudante fica mais confortável mesmo em disciplinas que não envolvem suas preferências. Além disso, a busca pela formação superior e oportunidades no mercado de trabalho são facilitadas quando o indivíduo, antes de iniciar sua entrada, já reconhece seus desejos e pretensões.

A escola, para explorar e incentivar o autoconhecimento, pode realizar algumas dinâmicas. Convidar um profissional da psicologia para uma palestra e bate-papo, por exemplo, pode ser uma ótima forma de propiciar o descobrimento de si. O contato com psicólogos permite que a criança e o jovem despertem para suas características e estado enquanto pessoa.

O contato com a arte também está muito ligado ao autoconhecimento, uma vez que as manifestações artísticas dizem muito sobre quem as produz. Sendo assim, promover oficinas de arte, seja plástica, musical ou teatral, contribui para que o aluno se identifique com as produções culturais, logo, com a sua singularidade.

A gestão de conflitos em sala

A ponderação para resolver conflitos é uma outra habilidade desenvolvida por meio da educação socioemocional. Envolve não apenas a compreensão de sua própria emoção, mas principalmente o domínio das diversas situações de vulnerabilidade.

A vida em sociedade é levada com maior tranquilidade quando o indivíduo está preparado para qualquer tipo de situação, inclusive adversidades. Essa é uma habilidade muito demandada pelo mercado de trabalho do século XXI, em que os profissionais mais aptos são aqueles que, em suas características, apresentam a gestão de conflitos.

Na escola, os trabalhos em grupo são essenciais para esse desenvolvimento. Professores podem sempre propor atividades a serem realizadas em times. Assim, os alunos têm contato com diferentes opiniões e devem ponderar de acordo com os argumentos apresentados. Assim, os estudantes compreendem a multiplicidade dos pontos de vista, que podem ser complexos e complicados de se absorver.

Em dinâmicas em grupo, os estudantes podem acabar expondo suas fraquezas e inseguranças. Elas podem aparecer em uma atitude em que o aluno se coloca como o superior, ou indiferente, ou até mesmo se entristecendo. Primeiramente, o professor deve mostrar que esse tipo de reflexo é natural e necessário. Depois que o aluno passa a compreender sua reprodução, é possível iniciar o desenvolvimento da ponderação e controle das situações embaraçosas.

As competências socioemocionais na BNCC

Das 10 competências gerais da BNCC, 4 se destacam por trazer o ensino socioemocional de forma mais clara, embora esteja presente em todas. São elas:

  1. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
  2. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
  3. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
  4. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários

Conclusão

A educação socioemocional, atualmente, faz-se muito necessário para o processo pedagógico. O mundo e os alunos não são mais os mesmos: os avanços tecnológicos têm provocado muitas mudanças na sociedade contemporânea. A educação socioemocional, portanto, traz conceitos primordiais para a vida em conjunto. Por meio do desenvolvendo de competências e habilidades relacionadas ao emocional na escola, os alunos conseguem construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Por estar presente na Base Nacional Comum Curricular, a educação socioemocional deve fazer parte dos currículos de todas as escolas de Ensino Básico brasileiras. Porém, é necessário ir além do currículo, desenvolvendo as competências no dia a dia da escola. Sendo assim, o ensino socioemocional na escola é fundamental para a implementação da BNCC.

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