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31
jul

Por
Victor Thadeu

BNCC

Preciso adequar o currículo à BNCC, e agora?

Com a completa homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), chega o momento das instituições de Ensino Básico adequarem seus currículos. A BNCC traça as aprendizagens essenciais a serem desenvolvidas nos anos de escola, o que inclui o trabalho com as dez competências gerais. Logo, faz-se importantíssima a consideração da Base nas atualizações curriculares e propostas pedagógicas.

Fazer essa adequação pode não ser muito fácil, uma vez que é necessária uma série de ações. Além da leitura e compreensão da Base por inteira, os profissionais da educação precisam encontrar modos de ligar o que está definido no documento à prática. Porém, não faltam motivos para planejar tais ações: a BNCC coloca o foco nos projetos de vida dos estudantes, assim como amplia a possibilidade de continuidade dos estudos.

Neste artigo, veja como relacionar a BNCC à prática escolar por meio de uma adequada adaptação curricular. Confira!


Entenda como o currículo dialoga com a BNCC

A ideia de uma base de conteúdos para orientar a formação dos alunos nas escolas não se deu de uma hora para outra. Já na Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, a definição já era prevista no Artigo 210:

“Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino […], de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.”

Após a homologação da BNCC, esse respeito aos conteúdos essenciais passou de uma ideia a uma responsabilidade nacional. Sendo assim, todas as instituições precisam estar em sintonia com os aspectos objetivados no documento.

O primeiro passo para a implementação é a revisão do currículo. Por ser o documento em que são explicitadas as propostas pedagógicas e estratégias de ensino adotadas pela escola, é natural adequá-lo num primeiro momento. Entretanto, não há uma fórmula mágica para realizar essa adequação: a tarefa, de fato, exige tempo e dedicação dos envolvidos.

O currículo deve conter maneiras de se alcançar os conteúdos propostos na BNCC. A Base, apesar de apresentar, ao longo de sua extensão, as competências e habilidades a serem desenvolvidas em ambiente escolar, não expõe qual a forma de se realizar sua aplicação. Para não limitar a autonomia das instituições e engessar currículos, cada escola deve traçar qual a melhor forma de ligar a proposta da escola à BNCC.

Sendo assim, é necessário garantir que todos envolvidos na escola compreendam que a BNCC não é um currículo, mas sim uma ferramenta para auxiliar a elaboração curricular. Há ainda outras duas noções importantes:

  • a participação de todos envolvidos na adequação dos currículos e
  • o compromisso com a aplicação do documento no cotidiano.

É fundamental que a construção de um currículo alicerçado à Base Nacional Comum Curricular seja feita com a participação de todos integrantes da escola. Logo, é preciso incentivar gestores, professores, demais funcionários e pais e responsáveis a apresentarem seus pontos quanto à implementação.

Tão relevante quanto a implementação curricular, é a implementação prática dos aspectos desenvolvidos no currículo. O currículo adequado deve ser utilizado como base para o planejamento escolar e a prática docente, funcionando como um guia e manual para todos os envolvidos na instituição. Por isso, é necessário expor a função do currículo constantemente, garantindo sua aplicação na escola.

Como organizar o currículo segundo a BNCC

Apesar de não existir um jeito correto de se fazer, há uma série de práticas que podem auxiliar os profissionais da educação no desenvolvimento de um currículo escolar fundamentado na BNCC. Veja a seguir algumas dicas!

Incluir características regionais

A Base prevê uma relevante tarefa: a complementação do currículo com elementos regionais. Por ser um documento elaborado para traçar o aprendizado comum em todas as escolas brasileiras, os elementos identitários de cada região e cultura não são trabalhados de forma complexa na BNCC.

Porém, o próprio documento, assim como as leis que orientaram sua elaboração, destacam a complementação como um elemento obrigatório. As características regionais, assim como culturais e econômicas dos estudantes, devem ser contempladas nos currículos escolares. Somando-se a isso, a identidade linguística e étnica, tão diversa no Brasil, também devem estar presentes nas propostas pedagógicas das instituições de ensino.

Contextualizar com base na realidade local

Sem contextualização, é impossível garantir um ensino direcionado e moldado para os alunos. Sendo assim, o estudo da realidade local, assim como formas de ligá-la aos aspectos curriculares, deve ser realizado antes, durante e depois da elaboração de currículos. A realidade local, social e individual da escola e de seus alunos, portanto, norteia as diretrizes escolares.

Conforme explicitado na BNCC, é necessário incluir nos currículos a “abordagem de temas contemporâneos que afetam a vida humana em escala local, regional e global, preferencialmente de forma transversal e integradora.” Assim, garante-se um dos principais objetivos da Base: a formação integral dos alunos.

Escolher materiais didáticos alinhados à BNCC

O material didático representa uma ótima forma de adequar o currículo da escola à BNCC. A partir de um material elaborado em cima das nuances propostas pela Base, é possível compreender como o documento funciona na prática. Além dessa contribuição, o material pode ainda auxiliar professores no exercício de sua profissão, funcionando como uma ferramenta de formação.

A seleção de materiais apropriados, portanto, pode fazer parte do currículo escolar. Assim, as aulas estarão mais próximas dos conteúdos da Base, tal como o aprendizado do aluno direcionado aos conceitos propostos pelo documento. Um bom material didático traz, ainda, propostas de avaliação em que são avaliadas as competências e habilidades da BNCC.

Garantir uma atualização de práticas

Atualmente, a escola não é mais um espaço para o desenvolvimento de competências puramente cognitivas. Para possibilitar vivências significativas, é fundamental que o ensino socioemocional, muito presente na BNCC, represente um dos objetivos escolares. Sendo assim, é fundamental que a escola forme cidadãos aptos à vida coletiva no século XXI.

A consideração do mundo e o desenvolvimento de projetos culturais, quando presentes no currículo, aumentam o protagonismo juvenil de forma interativa e formativa. Assim, os alunos são formados para a vida, não apenas para a prestação de exames. O ensino socioemocional tem sido cada vez mais destacado, principalmente por envolver estudos contemporâneos voltados à neurociência.

Desenvolver as competências especificas

Um bom norteador para a fundamentação de práticas pedagógicas no currículo são as competências especificas de cada área. Presentes na BNCC, essas competências representam a meta da educação e relacionam as disciplinas às competências gerais. Sendo assim, as competências especificas são as aprendizagens que os alunos devem ter adquirido ao final dos anos escolares.

Portanto, a escola pode incluir no seu currículo formas de adquirir tais competências. Além disso, deve ser exposto como elas serão consideradas nas atividades e como o professor pode tê-las como um norteador de prática de ensino. Ainda, o currículo pode mostrar como essas competências são desenvolvidas ao logo dos anos, definindo guias para o planejamento escolar e andamento dos períodos letivos.

BNCC e currículo: entenda a diferença

Depois que a BNCC foi homologada, é comum que os profissionais da educação acreditem que o documento se trata de um currículo obrigatório. Apesar de parecer em alguns aspectos, a Base Nacional Comum Curricular não é um currículo, mas sim um guia para a elaboração de currículos escolares. Mas afinal, qual a diferença entre BNCC e currículo?

A BNCC se trata de uma referência para a construção e revisão curricular. A partir dela, são definidos conhecimentos essenciais a serem desenvolvidos no Ensino Básico. Ainda, o documento apresenta, de modo elaborado, como a formação cidadã nacional pode ser melhor alcançada em ambientes escolares. É um documento para todas as escolas, sem exceção.

Já o currículo é definido por cada instituição de ensino e, além dos elementos da Base, devem conter metodologias e abordagens pedagógicas adotadas pela escola. Também devem estar presentes nos currículos todas as especificidades locais e diferenciais das instituições.

Conclusão

Adequar o currículo é o primeiro passo para a implementação da BNCC. Apesar de parecer complexo, o momento de atualização pode ser ideal para revisar a prática pedagógica da escola. Ainda, a adequação permite que o ensino desenvolvido respeite as leis que traçam a educação brasileira. No final das contas, são vários os benefícios em estabelecer uma consonância ente currículo e Base Nacional Comum Curricular.

Incluir fundamentos do ensino socioemocional no currículo, além de fazer uma ligação com a Base, pode ser um potente diferencial para a sua escola. Quer saber mais sobre a educação emocional? Baixe gratuitamente nosso e-book sobre as competências socioemocionais e entenda o que elas representam na contemporaneidade. Veja, também, formas de desenvolvê-las em ambiente escolar.

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